Tem semanas em que a gente tem vontade de se afogar numa garrafa de Merlot ao meio dia.
Mas minha realidade materna torna tais planos etílicos ou mesmo um banho de banheira com sais, sonhos de consumo a longo prazo. Assim, nestes últimos dias, não tive opção a não ser o mau-humor, o stress e a costumaz ansiedade.
No automático, trabalhei, cozinhei, arrumei e cuidei. Respondi e-mails, troquei fraldas, lavei e passei (mentira, sou um zero à esquerda na lavanderia).
E enquanto estava imersa em meus planos de insurreição, que raramente saem da revolta quase épica dos meus dedos no teclado, minha filha sugeriu: "mãe, vamos fazer um bolo cor-de-rosa?"
Um bolo. E cor-de-rosa! Eu, sem paciência sequer para um brigadeiro de microondas e ela querendo que eu tingisse claras em neve. Eu, a la Nelson Rodrigues, ela a la Princesa Fairy e as Fadas. Eu, sem tempo, ela de férias. Eu, dando coice, ela... e seu olhar doce.
Convencida, separamos os ovos, peneiramos a farinha e convidamos a vizinha. E ela sorriu e misturou, sorriu e peneirou, sorriu e me encantou: "mãe, eu adoro cozinhar com você".
Obrigada maternidade, que torna sonhos etílicos planos a longo prazo, mas me brinda com pedidos de amor a uma vida cor-de-rosa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário