Ontem escolhi um livro entre as gôndolas do Zaffari. Tuppewares, papel alumínio, livros. Livros? Livros!
A capa, o título e a autora despertaram minha atenção, mesmo expostos sem charme algum sob luz branca, em estante de alumínio, com 'My name is Luca' tocando ao fundo.
A princípio, me senti herege, mas logo desapeguei da culpa, afinal, não estava comprando Paulo Coelho. Na verdade, minha classificação estava para algo entre 'Dona Maricota' e 'Nossa, a vida anda corrida'. Foi uma compra por impulso. Mas se dentistas, vez ou outra, dormem sem passar fio dental, eu também tenho o direito de ser manipulada por meus colegas do marketing.
Não li o prólogo ou a dedicatória. Não folheei. Coloquei no carrinho e segui em direção às massas. Esqueci.
Fui lembrar dele no final da tarde, perdido no saco plástico, em meios a rúculas e tomates. A funcionária de casa, que ajudava a desempacotar as compras, olhou com estranhamento.
- Você é vingativa?
- Não eu, a Claudia Tajes
- Ah...
Sorri com simpatia, tentando não macular minha imagem em tempos de PEC.
Mais tarde, parei em meio ao caos, ignorando as crianças aos berros argumentando que alguém havia puxado o cabelo de alguém e o cachorro que mordia a sola do meu sapato.
Li o prólogo, a dedicatória e folheei. Teria escolhido aquela leitura mesmo sob meia luz e estante de madeira.
Fiquei feliz e passei a adorar a idéia. Até agora, minhas compras por impulso resumiam-se a chicletes, pilhas e um ventilador descartável da Hello Kitty ("Ah mãe, compra, por favor, eu juro que nunca mais te peço nada").
O livro continua cheirando a rúcula, mas quem se importa? Afinal, a Dona Maricota tem carisma e vida anda mesmo corrida.
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