quinta-feira, 17 de abril de 2014

Descomunicando

- Não estou brava
- Claro que está 
- Está tudo bem
- Por que você está olhando para mim desse jeito?
- De que jeito? Estou normal
- Olha...
- Depois a gente conversa
- Por que depois?
- Não na frente das crianças
E tomam café da manhã, as crianças vão para a escola e os adultos, ao trabalho. Reuniões, e-mails, recreio, coffe break. Dia que passa, cheiro de pão da boulangerie ao lado e na rua, alguém grita. De amor. Ou de medo. O sol se põe, os pássaros procuram abrigo, o trânsito em horário de rush. As crianças voltam da escola e os adultos, do trabalho. Tomam banho, o tempo esfria, agasalham-se e jantam sopa. A filha mais velha vai deitar, o caçula tem lição por fazer. Silêncio.
- E então, o que foi?
- Ai, esquece vai
- Então, tá. Se você quiser, me fala.
Fim. Ou bem próximo dele.

Nenhum comentário: