quinta-feira, 17 de abril de 2014

Oncinha

- Querida! Quanto tempo!
- Hã? Ah, oi...
- Lembra de mim?
- Ahn, bem...
- Você está linda. O que andou fazendo, hein?
- Nada
- Ah, vá
- Deixa eu te apresentar meu marido, Lúcio
- Oi, prazer
- Prazer, Lúcio. O que você fez para fisgá-la, hã?
- Oi?
- Essa aí não dava mole pra ninguém. Era festa atrás de festa
- Eu?
- E sempre linda. Parava o salão
- Nem tanto
- Teve uma vez... Posso contar?
- Não sei do que...
- Posso vai. Teve uma vez em que ela chegou com um vestido de oncinha... Ah não, não vou delatar minha amiga
- Pois bem...
- Que saudades! Vamos marcar um café um dia destes?
- Sim, sim
- Só não me apareça de oncinha, hein?
- Pode deixar
- Tchau, querida. Tchau Lúcio 
- Tchau
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- Quem é, Laura?
- Eu não faço a menor idéia
- E que história é essa de oncinha?
- E eu lá uso oncinha, Lucio? Quinze anos de casados, três filhos e você não me conhece?
- Tem razão. Desculpe.
Naquela noite, Laura não conseguia pegar no sono. Precisava lembrar onde estava guardado o vestido. Pelo bem de seu casamento.

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