quarta-feira, 2 de abril de 2014

Vida do outro

- Por favor, um espresso
- Acompanha algo para comer?
- Não, depois já pode trazer a conta. Hoje vim sozinha, programa rápido.
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- Um milhão, não menos que isso
- Mas por quantas cabeças de gado?
- Meu caro, são Angus
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- Pensei em flores. Orquídeas 
- Por todo o salão?
- Sim. Brancas
- Já sei, quer um casamento angelical
- Este é o ponto
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- Meu pai não me deixava sair de casa
- Nunca?
- Somente acompanhada por meus dois irmãos
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- Wagner, entendo de valores. Comprei um lote semana passada por oitocentos mil
- Mas você não viu o meu gado. É de primeira, de primeira
- Preciso avaliar
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- Pensei em finger food
- Perfeito
- O Rô diz que mereço um casamento de rainha
- Isso é que é amor
- Pena que...
- O que?
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- Ah, mas se meu pai sonhasse metade das coisas que eu fiz
- Ah é?
- Lembra do João?
- O filho do caseiro?
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- Avaliar o que, meu caro?
- Acha que nasci ontem?
- Pela barba branca certamente não
- Olha...
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- A vulgar da Sônia estará lá
- Quem é?
- A ex-namorada do Rô. Continua amiga da família
- Posso pedir para o garçom derrubar Bloody Mary no decote
- Tem como?
- Faz parte do pacote
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- Senhora, aqui está o espresso e a conta
- Esquece. Pode trazer um clericot. E seria possível abaixar o volume da música?

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